Meu Namoro Com os Rios do Sul de Angola (Uma ode: às águas que nutrem e ensinam)

Uma ode: às águas que nutrem e ensinam

By Jeronimo António

No meu namoro com os rios de Angola, eu encontrei no Cunene, um lugar encantado e me apaixonei, tem tempos muito secos, dificies, calor forte, bem quente como fogo de sol na nossa pele, poeira irritante irmã do deserto, mas, casa das águas nos tempos de glórias, maravilhosas planicies e picinas naturais.

a beleza geográfica do sul de Angola, mas também a alma dessa terra, seus povos e a relação sagrada entre água, natureza e humanidade.

Nick Paterson

Não é só beleza geográfica do sul de Angola que é captivante, mas também a alma dessa terra, seus povos e a relação sagrada entre água, natureza e humanidade.

1. A Voz da Natureza

O sul de Angola — especialmente as fronteiras entre Benguela e Huíla são um santuário de água e sabedoria.

Os rios que nascem nas cordilheiras e sulcos das montanhas não são apenas cursos d’água, mas mensageiros. Eles sussurram:

  • “A terra dá o suficiente, se soubermos ouvi-la.”
  • “A ambição desmedida seca fontes, mas a gratidão as faz perenes.”

2. Os Rios-Mestres

Nessa região, cada rio tem uma identidade e um propósito:

  • Rio Cunene: O gigante resiliente que desafia o deserto do Namibe, levando vida aos povos Herero e Ovambo.
  • Rio Caculuvar: Menos conhecido, mas vital para os agricultores das terras altas da Huíla.
  • Rios Efêmeros: Como os que correm nas chanas após as chuvas, lembrando-nos da impermanência e da necessidade de harmonia.

3. Os Povos da Água

Os Kalukembe (crioulos Nhaneka-Ovimbundu), os Ovatchilengue e outros guardiões de tradições que entendem a água como:

Sangue da terra: Rituais de colheita ligados às cheias.

Ponte entre mundos: Lendas como a da Mãe-d’Água, ser espiritual que protege nascentes.

4. A Lição que os Rios Ensinam

Um alerta e um poema:

“O planeta tem para suprir necessidades, mas não a ganância destrutiva.”

Os rios do sul de Angola são testemunhas:

Da ironia de um país com tanta água, mas com assimetrias no seu acesso. Da fertilidade das terras do planalto central até a Huíla. Da resistência das comunidades que sobrevivem mesmo quando o Cunene baixa.

Cascade of the Epupa waterfalls in the Kunene region in northern namibia

Nas terras de Kaluquembe, as girafas de águas naturais, águas do Kaluquembe, região de mupliplatas fontes de água limpa.

Uma região rica em recursos hídricos com uma natureza que fala e propõe soluções para as necessidades dos seres humanos que ali habitam.


Ali a natureza fala para nós e repete alto e em bom som “o dom divino que o planeta Terra tem tudo para suprir as necessidades dos seres humanos que nele habitam”, talvez só não tenha para suprir as necessidades ambiciosas desmedidas e destruidoras de alguns…

Nos sulcatos e cordilheiras de inúmeras montanhas que traçam as fronteira das duas províncias Benguela e Huíla, uma região abençoada com terras férteis e intermináveis fontes de água mas atípicas.

Nas famosas terras partilhadas entre os povos Ovatchilengue, Ovahanha,à norte os Ovanganda e os ricos e orgulhosos povos de Kalukembe que são crioulos porque são metade Nhanekas e a outra metade Ovimbundus.

Kaluquembe é a mãe de gloriosos e magestosos rios bem destinados para enriquecer este bonito país (Angola) naquela região.

Do lado oeste da mesma região montanhosa, nasceram os irmãos caudalosos rios Kubal da Hanha, Koporolo que desagoa no Oceano Atlântico ao sul da cidade de Benguela no Dombe Grande na região dos povos Mundombes e Ovakwissi,

O rio Utalala, um pouco á norte do mesmo aquífero que acaba se juntando ao Kuporolo, também nascem os rios Kubal da Ganda, Katumbela um pouco á norte no Kusse em Kakomda mas não muito distante desta região. Todos os rios mencionados acima correm para o Oeste e os dois rios Kubais se juntam ao rio Katombela e desgoam na costa atlântica de Benguela.

Na parte leste destas bonitas cordilheiras montanhosas de Kalukembe entre a província de Benguela e da Huíla nascem outros rios como o grande rio (Quê) Kukala, Kuilo Klomhohã e outros que depois todos eles se juntam do rio (Quê) que corre para o leste á convite do rio Kunene e ali enriquece o rio Kunene e o rio acabando por se tornar em um dos três principais rios da bacia do rio do Kunene.

Aqui enfatizamos que o rio (Quê) que também recolhe as águas que caem das ricas terras de Kola Ngandu, lembro aqui que a região que marca as fronteiras das três províncias Benguela, Huila, Huambo é das mais ricas de Angola em recursos hídricos e térreas férteis ao ponto de ter atraído para ali a maior colônia de Holandeses antes da chegada dos portugueses e mais tarde os Alemãos.

Nestas regiões os rios e as montanhas chamam, falam, divertem e alimentam as pessoas… Falo da magestosa montanha de Lungu cercada de terras escandalosamente férteis! Ai a natureza nos faz carinho, terapia da alma… acalenta e cuida dos nossos traumas mais profundos ou sgredos escondidos na alma.

O que todos estes aquíferos têm em comum, é a proteção natural das nascentes, elas são as famosas plantas guardians das nascentes e margens dos rios como que de segurança das suas águas se tratasse,


Estas plantas são: na língua local Atamba, Ayendges e os misteriosos capins pequenos e tuberculos que ai existem são Olinda ou Tchindau medicinais, os Lossavas são os pequenos tubérculos da espécie de cebola que são lendários na protenção dos rios e alimento dos viajantes em dificuldades ou sem nada para se alimentar.


Sem nos esquecermos da planta que encolhe as suas folhas quando tocada, uma famosa planta mais conhecida por Otchissoyi.

Nesta rica região onde nascem vários rios uns partem para leste em direção ao rio Kunene e outros na costa atlântica de Benguela, ali a natureza fala com as pessoas cuida delas percebe a linguagem da terra e fortalece o solo e garante o sustento agricula.

By: Jerónimo António, o ambientalista mais á sul de Angola

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *