By Jeronimo António
Um conto sobre barragens, fronteiras e o orgulho de um rio que não se deixa domar, o canivete do deserto do Namibe, de Angola e Namibia, um rio que corre para o mar, cheio de segredos e promesas, magestoso e generoso, o rio dos povos guerreiros, das historias dos ancestrais e da vida animal, dos crocodilos e das raposas, das zebras e dos camelo, um viagem do Huambo ao Namibe.
1. O Rio que Virou Divindade
O Cunene nunca foi um rio qualquer. Desde os tempos em que os Hereros o chamavam de Okavango e os Ovambos lhe rendiam sacrifícios, ele já sabia: sua água era disputada.
Mas foi no século XX que sua vaidade floresceu. Primeiro, os colonos portugueses o chamaram de “fonte do progresso”. Depois, os engenheiros sul-africanos e namibios vieram com projetos e réguas.
— “Aqui, faremos a maior barragem da África Austral!”, diziam, apontando para as Quedas do Epupa.
O Cunene riu.

2. Ruacana: A Primeira Cicatriz
Nos anos 1970, nasceu Ruacana, a barragem que cortou o rio ao meio.
- Do lado angolano, o povo Himba reclamou: “O rio está fraco, os peixes sumiram!”
- Do lado namibio, as turbinas giravam, alimentando cidades distantes.
O Cunene, porém, não se rendeu. Nos anos de chuva, ele transbordava com fúria, inundando as comportas, como um aviso:
— “Vocês me controlam? Ou eu os controlo?”
3. Epupa: A Beleza que Aprisiona
Então, vieram os planos para Epupa. Prometeram:
- “Turismo! Desenvolvimento! Eletricidade para todos!”
Mas os Himbas protestaram. Seus ancestrais estavam enterrados ali. O Cunene, nas épocas de seca, sussurrava:
— “Se me prenderem, eu levo suas memórias.”
A barragem não saiu. Em vez disso, as Quedas de Epupa se tornaram um cartão-postal da Namíbia.
Ironia cruel:
- Os turistas fotografavam a beleza do rio, enquanto comunidades angolanas a jusante sofriam com a escassez.

4. O Rio que Humilha os Vaidosos
Anos depois, um ministro angolano visitou Epupa. De terno italiano, olhou a queda-d’água e declarou:
— “Isso aqui é ouro! Precisamos de uma barragem nossa!”
Um velho Himba, ouvindo a tradução, cuspiu no chão e disse:
— “O Cunene não é ouro. Ouro se guarda no bolso. O Cunene é vento: não se prende.”
Naquele instante, um jato d’água das quedas molhou o terno do ministro. Todos riram. O rio também.
5. O Legado da Vaidade
Hoje:
- Ruacana sofre com o assoreamento.
- Epupa atrai turistas, mas os Himbas ainda lutam contra projetos de barragem.
- O Cunene, mais sábio que qualquer governo, segue seu curso — às vezes generoso, às vezes avaro, lembrando aos homens:
“Vocês podem até me usar, mas nunca me donarão. Porque água que nasce no coração da Huíla não tem dono.”
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